O Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, ou GRU Airport, é o mais movimentado do Brasil, com 42,8 milhões de passageiros transportados em 2019. Com a pandemia do coronavírus, o bloqueio de fronteiras e a suspensão das operações, o aeroporto deixou de ver seus saguões cheios e passou a focar em novos protocolos de saúde e segurança.

Agora que está retomando seu movimento, chegando em torno de 35 mil passageiros por dia, conversamos com Miguel Dau, veterano da aviação brasileira e atual diretor de Operações do GRU Airport. Nesta época do ano, normalmente, transitavam pelo aeroporto cerca de 135 mil pessoas diariamente.

Atualmente, o terminal 1 está fechado, o terminal 2 concentra voos domésticos e o terminal 3 está direcionado às operações internacionais, bem limitadas, diga-se.  

Os protocolos e medidas acompanharão a retomada do movimento em Guarulhos e devem permanecer após a pandemia. Miguel Dau esmiuçou à Revista PANROTAS as medidas adotadas pelo aeroporto e os cuidados que passageiros e profissionais precisam ter ao utilizar e circular pelo espaço. 

LIMPEZA DE ÁREAS PÚBLICAS

1 – A limpeza do terminal, incluindo assentos, ar condicionado, bandejas e todas áreas comuns, tem sido feita com maior frequência.

2 – Os terminais têm sido higienizados com aproximadamente o dobro da frequência de antes da covid-19. “Mas, entendemos que, se o passageiro usar máscara e lavar as mãos, o risco de contaminação é baixo.”.

3 – Os banheiros são higienizados com maior frequência, que é ditada pela movimentação do aeroporto e não por horário como anteriormente. Há medidores de movimento que acionam a equipe de limpeza quando atingir número X de pessoas e a limpeza for necessária.

4 – “Colocamos dispensers de álcool em gel em todos os locais em que passam passageiros, para que não faltem opções para higienizar as mãos.”

5 – “Também estamos avaliando um tecido para antiviral a ser aplicado em diversas áreas do aeroporto. Muitas das medidas sanitárias que a covid-19 trouxe serão permanentes, evitando contaminações por outras doenças também no futuro”, garante Miguel Dau.

CHECAGEM DE TEMPERATURA

6 – O aeroporto adotou controle de temperatura por câmeras, devido ao aumento do movimento, principalmente no terminal 2, para fazer esse controle sem atrapalhar o fluxo dos passageiros.

7 – No terminal 3, que tem menos movimento, está sendo utilizada a medição por termômetro infravermelho. Caso um passageiro seja identificado com febre superior a 37,8 oC, ele é convidado a ir para o posto médico para fazer uma avaliação e se suspeitaram de contaminação por covid-19, ele será encaminhado para o hospital referência em Guarulhos.

ELEVADORES

8 – Nos elevadores, há sensores de aproximação para não precisar apertar o botão de chamada. Também é preciso respeitar o distanciamento social. Dependendo do elevador, podem entrar até quatro pessoas. Existe uma marcação no piso para indicar o limite. 

SEM TOQUE

9 – “Colocamos QR codes em vários pontos do aeroporto para evitar aglomeração em frente às televisões, assim o passageiro acompanha o status do seu voo pelo celular”.

10 – O diretor de Operações garante que tudo que pode ser feito na filosofia do touchless (sem contato), está sendo implementado ou estudado.

BEBEDOUROS

11 – Os bebedouros estão funcionando. Já aqueles que obrigam a colocar a boca foram desligados e seus bicos estão sendo trocados por outros que permitem colocar água em copos ou garrafas. Esse processo de troca ainda levará cerca de 30 dias.

SERVIÇOS SUSPENSOS

12 – Segundo Miguel Dau, nenhum serviço do aeroporto foi suspenso, mas se o passageiro utilizar um caixa eletrônico ou tocar em qualquer superfície, ele precisa saber que deve lavar a mão e que não deve levar as mãos à boca, olhos e nariz sem antes lavá-las ou higienizá-las.

13 – O aeroporto também incentivou e orientou aos cessionários comerciantes a vender e dispor itens como máscaras e álcool gel aos passageiros. E eles aceitaram.

ALIMENTAÇÃO

14 – O serviço de bufês em restaurantes está suspenso e algumas empresas estão fazendo pratos feitos e entregando nas mesas. Também está sendo aplicado distanciamento entre as mesas e foram colocados dispensers de álcool em gel nas praças de alimentação. Todos os funcionários estão trabalhando com toucas, luvas e máscaras.

TRANSPORTE TERRESTRE

15 – “Nós recomendamos o distanciamento com indicações visuais. Também fizemos alterações na área de meio fio para que as empresas de transporte terrestre não se acumulem em uma mesma área.”

CARRINHOS DE BAGAGEM

16 – Segundo o GRU Airport os carrinhos de bagagem continuam à disposição e estão sendo limpos com maior frequência. “Mas sugerimos que o próprio passageiro higienize suas mãos após o uso. Estamos pensando uma série de tecnologias para fornecer mais tranquilidade ao passageiro nesse quesito.” 

EMBARQUE REMOTO

17 – Os embarques remotos, que não são via ponte de embarque e o passageiro precisa se deslocar até a aeronave em ônibus ou vans, ainda estão acontecendo, mesmo com a quantidade de voos menor. Segundo Miguel Dau, os ônibus estão circulando com apenas 50% da capacidade normal.

SINALIZAÇÃO

18 – “Estamos trabalhando com mensagens em audiovisual. A parte de áudio é feita em três idiomas e transmitimos um vídeo com o dr. David Uip com recomendações no intervalo dos programas de voos. Várias mensagens escritas também foram aplicadas nas paredes, colunas, piso e cadeiras, recomendando o uso de máscaras e respeito ao distanciamento social”, explica o gestor do aeroporto.

PASSAGEIROS

19 – Qual a recomendação para check-in e antecedência de embarque? De acordo com Miguel Dau, o aeroporto prefere que cada empresa aérea aplique suas próprias orientações de acordo com os destinos que opera. “Nós atrapalharíamos se fizéssemos isso também.

O passageiro internacional precisa saber com antecedência toda a documentação necessária para o embarque e horário recomendado pela companhia, alguns países já solicitam certificado de exame para covid-19 na chegada. Já o passageiro doméstico precisa chegar com uma hora de antecedência, já é mais que suficiente para fazer o check-in”.

20 – Não houve mudanças nos itens que podem ser levados a bordo. “Quanto ao álcool em gel, não há restrições em voos domésticos, mas álcool líquido é proibido. Para voos internacionais, o limite é de 100 mililitros, incluindo o álcool em gel”.

DESEMBARQUE

21 – Não é feito teste na chegada de qualquer voo. Em situações de casos suspeitos, o procedimento é o mesmo do embarque: o passageiro é convidado a ir para o posto médico para fazer uma avaliação e se suspeitaram de contaminação por covid-19, ele será encaminhado para o hospital referência em Guarulhos.

Fonte: Victor Fernandes 16 PANROTAS — 29 de julho a 4 de agosto de 2020