A pandemia de Covid-19 já dura mais de nove meses no Brasil. Desde o primeiro caso confirmado, em 26 de fevereiro, o país sofre com as graves consequências do coronavírus. Mas além da crise sanitária, um dos setores mais afetados pela pandemia foi o Turismo.

Para se ter ideia, a indústria de viagens corporativas contribui todos os anos com US$ 1,45 trilhão na economia mundial, segundo dados da GBTA (Global Business Travel Association). Com regras de restrição rígidas na convivência, como o isolamento social e a determinação de lockdowns, os eventos e viagens tiveram que ser cancelados ou adiados. Logo, isso resultou em um prejuízo severo para a economia. 

Mas, afinal, quando e como retornarão as viagens corporativas? Esta é uma pergunta complexa, que requer análise de alguns fatores para se aproximar de uma previsão certeira. De acordo com uma pesquisa realizada no segundo semestre deste ano pela GBTA, 70% das empresas associadas acreditam que os eventos presenciais já retornem em 2021. Quase metade das companhias (45%) espera que essa volta seja no primeiro semestre, mas outras 25% creem que a retomada será somente na segunda metade do ano.

Vacinas: a chave para a retomada 

Esse otimismo para a volta das viagens corporativas já em 2021 mostra-se compreensível, especialmente por conta do avanço no desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19. A vacina desenvolvida pelas empresas farmacêuticas Pfizer e BioNTech, por exemplo, atingiu 95% de eficácia, sem efeitos colaterais preocupantes e oferecendo proteção para pessoas com mais de 65 anos e de diferentes raças e etnias. Inclusive, a imunização em massa já foi iniciada no Reino Unido

Mas essa não deverá ser a única opção, pois a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em conjunto com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca também está em etapa bastante avançada. Ela tornou-se a primeira a ter resultados preliminares da fase 3 de testes divulgados por uma revista científica – no caso, a The Lancet. Além disso, o laboratório da americana Moderna também confirmou que sua vacina tem uma taxa de eficácia de 94%. Ademais, a Rússia também corre com a Sputnik V, que atualmente está sendo testada em cerca de 40 mil voluntários. 

E no Brasil? 

O Brasil ainda não tem um plano oficial para a imunização em massa. No entanto, isso não deve demorar. A CoronaVac, vacina da chinesa Sinovac que está sendo testada e produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, é uma das principais opções.

Os testes de eficácia da vacina ainda não foram concluídos e, portanto, ainda não há registo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas a China já aplica o imunizante em regime emergencial, enquanto Indonésia e Turquia anunciaram que começarão a vacinação ainda em 2020.  

Cuidados devem permanecer 

Mesmo com o cenário positivo da chegada da vacina e a imunização em massa, a pandemia de Covid-19 deixará algumas lições importantes. Uma das tendências é a redução das aglomerações e um menor tempo de exposição, assim como uma manutenção no hábito do uso de máscaras e da higienização constante das mãos. Hoje também já há um aumento no número de aluguéis de carros para substituir viagens de avião em pequenos trajetos.   

Além disso, o periódico JAMA publicou um artigo avaliando os riscos de transmissão de Covid-19 numa viagem de avião. Para isso, se baseou na maneira como o ar circula dentro de uma aeronave. Segundo o artigo, os modelos mais atuais possuem um fluxo de ar mais rápido que em edifícios comuns. Ainda metade do ar que entra vem do exterior do avião e outra metade é reciclada por meio de filtros HEPA, o mesmo tipo usado em centros cirúrgicos. Sendo assim, os riscos são maiores nos aeroportos, escritórios ou supermercados do que em aeronaves.

Portanto, apesar de os aviões terem condições menos favoráveis à propagação do vírus, os aeroportos devem seguir as regras de distanciamento e higienização de forma rígida. Da mesma forma, companhias aéreas, empreendimentos hoteleiros, locadoras de veículos e demais fornecedores passarão a ser muito mais exigidos em relação a padrões de limpeza e higienização. 

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