O artigo desta semana é da colaboradora Nicole Kieuteca Araújo Rodrigues do setor de Gestão de Pessoas sobre a romantização do “novo normal” dentro das empresas.

Em meio a pandemia e quarentena tenho participado de cursos, lives, seminários e tantos outros eventos onde o uso do termo “novo normal” está em alta e onde as pessoas e empresas falam em ficar permanentemente no estilo de trabalho home office. Aí eu me questionei: será que as pessoas querem esta modalidade? O que é esse “novo normal”? Ele vale para todos? 

E neste turbilhão de pensamentos e informações, resolvi escutar a opinião daqueles que me cercam e surpreendentemente a maioria acha que não possui o perfil de trabalhar em casa. As pessoas gostam de rotina, gostam do face to face e acima de tudo gostam de conviver com pessoas. 

Cada um tem sua realidade. Nem todas as pessoas tem um escritório em casa com uma cadeira ou mesa adequada e confortável. Nem todas as pessoas tem uma coisa tão simples: silêncio. Alguns colocaram o silêncio das suas casas como ponto positivo para produzir mais, mas a maioria colocou como desvantagem. Silêncio é impossível para algumas famílias. Outra questão que dividiu as opiniões foi a produtividade, que para algumas pessoas ela aumenta consideravelmente em casa e para outras ela diminui a ponto de causar frustração. Uma parte tem famílias inteiras em casa e precisam dividir um único computador em duas, três ou até mais pessoas em suas rotinas e algumas (como eu) tem filhos pequenos que não entendem que não posso estar 100% à disposição dele para jogar bola e brincar, que a mamãe está aqui mas está trabalhando e que não estamos de férias. Temos que respeitar aqueles que veem em suas casas um ambiente de refúgio, de descanso e aconchego não combinando com o ambiente de trabalho. 

Em tempos de isolamento social, percebo que muitas pessoas tem ficado doentes em não poder sair de casa, reclamando em suas redes sociais que precisam de pessoas, de convivência e de aglomeração. O brasileiro é muito relacional por natureza e é esta questão que por unanimidade foi citada como a maior desvantagem dessa modalidade de trabalho: a falta de convívio e interação com os colegas e o ambiente de trabalho. 

“Todos estão no mesmo barco.” Discordo. Alguns atravessam essa crise em uma pequena canoa cheia de dificuldades enquanto outros atravessam em seus iates repletos de conforto. Quantos casamentos e relações pessoais ao nosso redor tem se desgastado ou até mesmo rompidos em meio a esse confinamento? Quanta sobrecarga psicológica isso traz para nós e nossas famílias? Quantas viagens dos sonhos adiadas? Quantos casamentos postergados ou cancelados? Quantas mortes sentidas? Quantas famílias sem renda? Quantos desempregados? Será que estamos prontos para lidar com tudo isso?

E para concluir penso que nunca será possível agradar a todos, independentemente da escolha que cada organização faça. Por isso, tente ver o lado positivo de cada escolha efetuada e cada decisão tomada. Tente minimizar os pontos negativos e encare com leveza o que nos é proposto ou imposto. De todos os momentos, de todas as crises e de todas as situações precisamos tirar algum crescimento e aprendizado. Não precisamos “romantizar” ou “glamourizar” o “novo normal” mas entender que ele será diferente para cada pessoa, para cada mãe, para cada empreendedor, para cada empresário, para cada professor e assim por diante.